MALDIÇÃO N.°04
“Socorro... Aquela
coisa... Ela está... Me observando!”
...
Meu nome é
David, este é um relato sobre a criatura que me assombra. Eu não deveria
acreditar em superstições, mas foi justamente por não acreditar que acabei me
envolvendo nisso.
Há alguns
dias, um amigo meu contou a lenda de uma criatura comprida que vem
aterrorizando uma cidade próxima a Dallas, no Texas. É claro que eu não
acreditei! Era algo simples demais, ingênuo demais pra ser verdade. “Uma
criatura tão longa que não se pode ver a cabeça pela janela e com braços tão
compridos que tocam o chão”. Eu ri da cara dele, desmenti-o completamente. Lhe
disse que, se fosse verdade, deveria haver alguma prova ou algo que pudesse
levar até a criatura e averiguar a sua existência. Por causa dos meus insultos
e tiração de sarro, ele me desafiou a ir comigo até a região onde se estava a
criatura e encontrá-la. Eu estava certo, eu não poderia fugir daquilo... Maldita
hora em que meu orgulho falou mais alto!
Viajamos
durante o final de semana até o local e acampamos. Nós dois fomos escoteiros
durante a juventude e adoramos acampar. Meu amigo, no entanto, não conseguia
dormir no meio daquela floresta. Ele tremia e sussurrava palavras que meu sono
não me deixava ouvir. Antes de entrarmos na floresta, nós paramos numa loja de
conveniência a beira da estrada. O lugar era um porcaria, pelo menos eu pude
colocar mais gasolina no carro e garantir a viagem de volta. Nicolas, por outro
lado, entrou na loja para pagar a conta e saiu completamente branco.
Perguntei-lhe o que houve, ele não respondeu. Na verdade, ele ficou quieto todo
o resto da viagem.
Pela manhã,
ouvimos alguns barulhos. Ouvi perfeitamente bem quando jogaram pedras na
barraca. Nicolas saiu e ficou do lado de fora. As pedras continuaram a serem
jogadas mesmo com ele ali. Chamei por ele e não tive resposta. Gritei e nada.
Saí eu mesmo para que as pedras parassem e encontrei Nicolas completamente
estático, olhando para as árvores. Precisei sacudi-lo para que me falasse
alguma coisa. Ele se sentou num baquinho de montar e disse: “Está tudo bem”.
Seus olhos estavam vagos e sua voz muito fraca. Estranhei vê-lo daquela forma,
mas ignorei. Procurei pelas pedras que foram jogadas e o que encontrei me
surpreendeu muito. Eram ossos ou corpos de animais completamente secos e
envelhecidos. Me virei e encontrei Nicolas escrevendo algo no chão: “OUT”
(saiam). Tirei o galho da mão dele:
– Então é
isso! Como foi que conseguiu jogar aqueles ossos na barraca? Ahn? Diga!
– Que
ossos?
– Como que
ossos? Os que estavam sendo jogados há alguns minutos na barraca! – ele me fitou
como se tentasse dizer alguma coisa e respondeu baixinho.
– Não fui
eu...
A raiva me
subiu e discuti com ele. Como ele pode me levar até aquele lugar e tentar me
assustar de forma tão estúpida? Andei pela floresta, seguindo um pequeno rio,
precisava tomar um pouco de ar e tirar aquela traição da cabeça. Sou muito esquentado
e não admito que façam esse tipo de coisa comigo. Mesmo assim, Nicolas é meu
amigo, meu melhor amigo, eu não iria bater nele e a melhor forma para evitar
isso era me distanciar dele naquele momento. Caminhei durante algumas horas,
observando a natureza, fazia tempo que eu não me sentia daquela forma,
abençoado por estar no seio da mãe natureza, numa floresta intocada pelo
homem... Meu espírito silenciou por completo. Atrás de algumas árvores
retorcidas, encontrei mais ossos e tremi. Aquilo só poderia ser brincadeira,
não era? Ele sabia que me irritaria, que eu caminharia pela floresta e que de
um jeito ou de outro encontraria aquele amontoado de ossos, não era? Como pude
ter duvidado?!
Voltei
correndo para o acampamento, sentia calafrios, algo estava me observando.
Gritei por Nicolas para que ele me respondesse. E ouvi-o gritar... desesperado!
“DAVID, SOCORRO!” Acelerei o passo e finalmente saí na clareira, encontrando o
acampamento completamente destruído, com o rastro de um corpo sendo arrastado
até o rio. Entrei no carro e dirigi sem parar... Aquela coisa estava me
observando, ela estava bem atrás de mim...
Não sei
como, mas consegui despistar aquela coisa. Meu deus! Eu deixei o meu amigo, meu
melhor amigo com aquela coisa! Perdoe-me Nicolas... Não pode ser! Eu vi! Eu o
vi na estrada pedindo carona! Preciso me acalmar e continuar dirigindo...
Foi então que eu me lembrei, de
um dia há muito tempo. Durante o acampamento, eu já tinha visto aquela coisa...
Ela estava lá o tempo todo, eu havia dito ao responsável que tinha alguém nos
observando na floresta, ele pegou o binóculo e viu algo se movendo para dentro
da floresta. Ele nunca voltou. Éramos um grupo de nove ou dez, e uma semana
depois, os policiais nos encontraram – apenas eu e Nicolas. Como pude ter
esquecido daquilo?! Não, eu sei como... A cabeça seca do escoteiro mais velho
estava dentro do posto de gasolina. Ele esteve esperando esse tempo todo,
estava atormentando o Nicolas e me fazendo esquecer o que eu tinha visto...
Cheguei em casa. Minhas mãos
estão tremendo, não sei se consigo terminar de escrever isso... Por deus! Ele
está no corredor me esperando! Consigo sentir os seus dedos compridos se
aproximando de mim, tentando me tocar o tempo todo. Ele está aqui e sabe que se
eu tentar olhá-lo diretamente ele irá me levar. O que eu faço? Estou
tremendo... A campainha?
Voltei. Era um homem alto, vestido
de preto, com uma cicatriz no rosto. Eu não lembro o que ele me disse. Eu
preciso me lembrar. O que eu estou escrevendo? Não, por deus, Nicolas! Me
desculpe amigo. Tire isso daqui! Ele colocou a cabeça morta do Nicolas no meu
ombro. Não tem olhos... O homem alto o pegou... edeejefvgkjmeo Não leia .........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
ele está atrás de você.


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