5 de março de 2013

Maldição N.º04


MALDIÇÃO N.°04



 

“Socorro... Aquela coisa... Ela está... Me observando!”

...
            Meu nome é David, este é um relato sobre a criatura que me assombra. Eu não deveria acreditar em superstições, mas foi justamente por não acreditar que acabei me envolvendo nisso.
            Há alguns dias, um amigo meu contou a lenda de uma criatura comprida que vem aterrorizando uma cidade próxima a Dallas, no Texas. É claro que eu não acreditei! Era algo simples demais, ingênuo demais pra ser verdade. “Uma criatura tão longa que não se pode ver a cabeça pela janela e com braços tão compridos que tocam o chão”. Eu ri da cara dele, desmenti-o completamente. Lhe disse que, se fosse verdade, deveria haver alguma prova ou algo que pudesse levar até a criatura e averiguar a sua existência. Por causa dos meus insultos e tiração de sarro, ele me desafiou a ir comigo até a região onde se estava a criatura e encontrá-la. Eu estava certo, eu não poderia fugir daquilo... Maldita hora em que meu orgulho falou mais alto!
            Viajamos durante o final de semana até o local e acampamos. Nós dois fomos escoteiros durante a juventude e adoramos acampar. Meu amigo, no entanto, não conseguia dormir no meio daquela floresta. Ele tremia e sussurrava palavras que meu sono não me deixava ouvir. Antes de entrarmos na floresta, nós paramos numa loja de conveniência a beira da estrada. O lugar era um porcaria, pelo menos eu pude colocar mais gasolina no carro e garantir a viagem de volta. Nicolas, por outro lado, entrou na loja para pagar a conta e saiu completamente branco. Perguntei-lhe o que houve, ele não respondeu. Na verdade, ele ficou quieto todo o resto da viagem.
            Pela manhã, ouvimos alguns barulhos. Ouvi perfeitamente bem quando jogaram pedras na barraca. Nicolas saiu e ficou do lado de fora. As pedras continuaram a serem jogadas mesmo com ele ali. Chamei por ele e não tive resposta. Gritei e nada. Saí eu mesmo para que as pedras parassem e encontrei Nicolas completamente estático, olhando para as árvores. Precisei sacudi-lo para que me falasse alguma coisa. Ele se sentou num baquinho de montar e disse: “Está tudo bem”. Seus olhos estavam vagos e sua voz muito fraca. Estranhei vê-lo daquela forma, mas ignorei. Procurei pelas pedras que foram jogadas e o que encontrei me surpreendeu muito. Eram ossos ou corpos de animais completamente secos e envelhecidos. Me virei e encontrei Nicolas escrevendo algo no chão: “OUT” (saiam). Tirei o galho da mão dele:
            – Então é isso! Como foi que conseguiu jogar aqueles ossos na barraca? Ahn? Diga!
            – Que ossos?
            – Como que ossos? Os que estavam sendo jogados há alguns minutos na barraca! – ele me fitou como se tentasse dizer alguma coisa e respondeu baixinho.
            – Não fui eu...
            A raiva me subiu e discuti com ele. Como ele pode me levar até aquele lugar e tentar me assustar de forma tão estúpida? Andei pela floresta, seguindo um pequeno rio, precisava tomar um pouco de ar e tirar aquela traição da cabeça. Sou muito esquentado e não admito que façam esse tipo de coisa comigo. Mesmo assim, Nicolas é meu amigo, meu melhor amigo, eu não iria bater nele e a melhor forma para evitar isso era me distanciar dele naquele momento. Caminhei durante algumas horas, observando a natureza, fazia tempo que eu não me sentia daquela forma, abençoado por estar no seio da mãe natureza, numa floresta intocada pelo homem... Meu espírito silenciou por completo. Atrás de algumas árvores retorcidas, encontrei mais ossos e tremi. Aquilo só poderia ser brincadeira, não era? Ele sabia que me irritaria, que eu caminharia pela floresta e que de um jeito ou de outro encontraria aquele amontoado de ossos, não era? Como pude ter duvidado?!
            Voltei correndo para o acampamento, sentia calafrios, algo estava me observando. Gritei por Nicolas para que ele me respondesse. E ouvi-o gritar... desesperado! “DAVID, SOCORRO!” Acelerei o passo e finalmente saí na clareira, encontrando o acampamento completamente destruído, com o rastro de um corpo sendo arrastado até o rio. Entrei no carro e dirigi sem parar... Aquela coisa estava me observando, ela estava bem atrás de mim...
            Não sei como, mas consegui despistar aquela coisa. Meu deus! Eu deixei o meu amigo, meu melhor amigo com aquela coisa! Perdoe-me Nicolas... Não pode ser! Eu vi! Eu o vi na estrada pedindo carona! Preciso me acalmar e continuar dirigindo...
Foi então que eu me lembrei, de um dia há muito tempo. Durante o acampamento, eu já tinha visto aquela coisa... Ela estava lá o tempo todo, eu havia dito ao responsável que tinha alguém nos observando na floresta, ele pegou o binóculo e viu algo se movendo para dentro da floresta. Ele nunca voltou. Éramos um grupo de nove ou dez, e uma semana depois, os policiais nos encontraram – apenas eu e Nicolas. Como pude ter esquecido daquilo?! Não, eu sei como... A cabeça seca do escoteiro mais velho estava dentro do posto de gasolina. Ele esteve esperando esse tempo todo, estava atormentando o Nicolas e me fazendo esquecer o que eu tinha visto...
Cheguei em casa. Minhas mãos estão tremendo, não sei se consigo terminar de escrever isso... Por deus! Ele está no corredor me esperando! Consigo sentir os seus dedos compridos se aproximando de mim, tentando me tocar o tempo todo. Ele está aqui e sabe que se eu tentar olhá-lo diretamente ele irá me levar. O que eu faço? Estou tremendo... A campainha?
Voltei. Era um homem alto, vestido de preto, com uma cicatriz no rosto. Eu não lembro o que ele me disse. Eu preciso me lembrar. O que eu estou escrevendo? Não, por deus, Nicolas! Me desculpe amigo. Tire isso daqui! Ele colocou a cabeça morta do Nicolas no meu ombro. Não tem olhos... O homem alto o pegou... edeejefvgkjmeo Não leia ......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... ele está atrás de você.

Nenhum comentário:

Postar um comentário